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Olhos fechados



Fechei os olhos e naquele instante, milhares de coisas se passaram pela minha cabeça como um filme.
Lembrei-me de todas as vezes que gargalhei e que sorri com todas as minhas forças; Lembrei-me de quando fiz cinco anos de idade e cantava contente por saber que completei todos os dedos de uma mão; Lembrei-me dos passeios que fiz em família e no quanto eu amava aquele programa; Lembrei-me da minha infância e no quanto ela havia sido incrível; Lembrei-me de todas as idas à praia e todas as vezes que eu me diverti sem me preocupar com nada.
Imaginei o quanto seria incrível se eu conseguisse realizar todos os meus sonhos; Imaginei o quanto orgulharia os meus pais ao me formar na faculdade; Imaginei a felicidade em poder fotografar diferentes cantos no mundo todo; Imaginei a emoção em poder realizar, não só os meus sonhos, mas, principalmente os dos meus pais; Imaginei como seria andar de avião pela primeira vez; Imaginei-me pisando em solos estrangeiros e agradecendo a Deus por essa conquista;


Deixei-me levar pelos meus pensamentos e viajei a um lugar distante. O futuro.

Acordei em um sábado de sol, abri a janela do meu quarto e me deparei com o tom de azul no qual o mar se encontrava naquele momento. Respirei fundo e senti a maresia que entrava pelo quarto junto ao vento fresco de verão.
Naquele dia, era dia de visitar meus pais e tomar café da manhã com eles. Ah, como amo esse programa. Arrumei-me rápido, vestindo um par de chinelos e uma roupa fresca e peguei minha bicicleta azul turquesa para ir a casa deles, que não era muito distante dali.
Cheguei e logo senti o cheiro de café que pairava no ar. Lembrei-me da minha infância e dos tempos em que eu sentia esse cheiro maravilhoso todas as tardes. Logo após o café da manhã, resolvemos dar uma ida à praia.
Finalmente poderia dizer que tinha a vida dos sonhos, pois desde nova sempre sonhei com o dia em que eu viveria num lugar calmo e tranquilo como o interior da Califórnia.
Peguei minha prancha e ao entrar no mar, pude sentir a emoção em poder estar ali, inerte e sem me lembrar dos problemas diários.
Num piscar de olhos, já estava na hora do almoço e era hora de voltar para casa.
Após o almoço, despedi-me deles e resolvi visitar minha amiga de infância. Ela tinha os mesmos pensamentos que eu e gostava de fazer tudo o que eu inventava, por mais que parecesse estranho.
Estávamos andando de bicicleta sem rumo e resolvemos parar para tomar um sorvete. Sentamos num banco numa praça e enquanto tomávamos, lembrávamos-nos da época em que nós sonhávamos em estar ali. Lembramos-nos de tudo o que passamos para que, finalmente, pudéssemos viver os nossos sonhos. Lembramos-nos o quanto foi difícil e o quanto pensamos em desistir, mas nosso espírito sonhador não deixou. Foi difícil? Foi! Mas, estávamos ali.
Enquanto lembrávamos-nos de tudo, reparamos que começou a cair uma chuva muito forte. Pegamos nossas bicicletas e fomos o mais rápido possível para casa. Foi inevitável que nos molhássemos da cabeça aos pés, mas quer saber? Era renovador!
Chegando lá, debruçamos nosso cotovelo sobre a janela e enquanto olhávamos aquele paraíso e a forma como as ondas quebravam na areia, agradecemos. Agradecemos a Deus por não deixar que desistíssemos dos nossos sonhos e por ele ter nos guiado e nos dado forças para seguir em frente. Agradecemos por persistir, e, finalmente, estar ali.

Enquanto a noite caía e o dia ia chegando ao fim, abri os olhos.
Deparei-me com pessoas andando apressadas pelas ruas, buzinas e barulhos sem fim. Agradeci, por um momento, por ter a capacidade de fechar os olhos e me transportar para longe, num lugar onde eu pudesse fazer coisas que me deixassem feliz.
Lembrei-me que deveria voltar para casa e que precisava passar por aquilo, todos os dias, para que eu pudesse realizar os meus sonhos e chegar onde eu sempre quis.

Por mais que o caos do dia-a-dia permanecesse presente, tirei forças dos meus pensamentos para lutar e seguir em frente, pois sabia que, um dia, a vitória chegaria.

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